Impacto do futuro Shopping na Paulista


O  complexo que está sendo construído na esquina com a Pamplona trará reflexos para a população próxima

Por Caio Aquino e Thomaz Lemmi

Quem passa pela Avenida Paulista com a Rua Pamplona vê um grande vazio. A região é caraterizada por grandes prédios e torres de escritórios, sendo considerada o centro econômico e de serviços de São Paulo, e até do Brasil. Mas um terreno sem concreto e horizontal na Avenida, no quarteirão entre a Rua Pamplona e a Alameda Campinas, se contrapõe a tão verticalizada região. Porém um novo empreendimento pretende mudar a cara da Paulista, que abrigará novo shopping e escritórios.

Histórico e detalhes do empreendimento

representação da futura torre do complexo

O terreno com área considerável tem ao todo 13 mil metros quadrados, no número 1230 da avenida mais conhecida da cidade. No seu inicio, a Paulista era residencial, e este terreno abrigou por muito tempo a mansão da família Matarazzo. Em 1996 houve uma polêmica em que a mansão antes de ser tombada pelo Patrimônio Histórico foi demolida pelos próprios familiares. Com a destruição da casa o terreno serviu por muito tempo como um estacionamento a céu aberto.

Em 2007 as grandes empresas de construção civil Camargo Corrêa e Cyrela compraram a localidade pelo valor de 130 milhões de reais. O espaço vazio agora vai dar lugar a um mega empreendimento, contendo shopping e uma torre com escritórios. Mais precisamente, o novo shopping terá seis andares com 142 lojas com praça de alimentação ampla, 19 redes de fast-food, 9 restaurantes, cinema e teatro.  Já a torre destinada aos escritórios terá 13 andares. O complexo contará ainda com 7 pavimentos destinados a estacionamento.

Segundo as assessorias das empresas, o projeto prevê a preocupação com o meio ambiente e  sustentabilidade. Por isso, haverá uma área verde preservada com uma praça pública de 2400 metros quadrados. Ao todo, o novo complexo terá cerca de 43 mil metros quadrados de terreno construído. Tudo isso gerará enormes impactos para os arredores.

Impactos na região

Moradores já demonstraram preocupação com o impacto do complexo no trânsito. “Acho bom a construção de um novo centro comercial na Paulista, mas é necessário que as ruas ao redor se adequem”, diz o morador da região Alexandre da Costa, 42. Para ele, “a Rua Pamplona não tem o porte necessário para comportar os carros que este shopping e escritórios vão trazer”.

Esta preocupação de adequação das vias ao redor do shopping e da torre já é estudada pela Companhia de Engenharia e Trafego (CET). Ela calcula que o empreendimento levará mais de mil carros por hora ao local, mais precisamente 1.090 veículos na hora de rush da manhã, e 788 veículos chegando e 1.148 saindo no horário de pico da tarde.

Sabendo que o complexo trará centenas de carros a mais por dia à Avenida, a CET determinou que as empresas responsáveis pelo projeto terão que ajudar na ampliação das Ruas São Carlos do Pinhal e Pamplona, na pintura de mais faixas de pedestres e novos semáforos.

Na questão econômica, o novo empreendimento acarretará um grande impacto na região, pois atrairá mais pessoas para a Avenida Paulista e seus arredores, desde visitantes do shopping a usuários dos escritórios, que consumirão os produtos e serviços oferecidos. Por conta disso, bancas de jornal, por exemplo, terão maior movimento, assim como pontos de táxis nas cercanias serão mais procurados, e os restaurantes que se encontram próximo também terão novos consumidores, embora tenham que lidar com a nova concorrência daqueles que serão abertos no shopping.

A maioria dos comerciantes e trabalhadores ao redor do terreno está confiante que o novo empreendimento vai acarretar mais lucro. É o que acredita Jane da Silva, 34, dona de uma banca na Rua Pamplona. Ela diz que o shopping vai atrair mais pessoas para a sua banca. “Acho que este projeto da praça, o shopping, as pessoas que vão passar aqui, vão me dar mais clientes”, explica.

Para os taxistas, principalmente os trabalhadores dos escritórios utilizarão seus serviços chegar e sair do prédio a ser construído. Um deles, Ronaldo Ferraz, 31, mostra que aumentarão as viagens em seu ponto de táxi. “Vai ser uma boa oportunidade para a gente”, fala o motorista com ponto na Rua São Carlos do Pinhal. Ele lembra que os pontos combinam com as firmas para fazer o serviço de levar os clientes dos escritórios. “Com certeza esse prédio e shopping vão me trazer mais serviço, as empresas também podem fazer contratos com os pontos da região”, diz Ronaldo.

Mesmo que o shopping tenha praça de alimentação concorrente, os restaurantes ao redor do novo empreendimento veem com bons olhos a quantidade de pessoas que ele atrairá. Sérgio Rangel, 35, trabalha no restaurante por quilo Don Cazuza na Alameda Campinas, e para ele não importará a concorrência da praça de alimentação. “Não importa, concorrência sempre vai existir”, fala Sérgio, que completa dizendo “o bom é que o shopping vai atrair mais pessoas e o pessoal que trabalha nos escritórios vai querer variar o cardápio”. O caixa do Don Cazuza afirma ainda que a tendência seja somente crescer o movimento em todos os restaurantes da região.

É esperado com esse novo empreendimento na Avenida Paulista, com shopping e escritórios, um crescimento de pelo menos 5% no movimento dos negócios, e até 10% no lucro do faturamento dos primeiros meses no comércio da região.

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